Flamengo e ex-jogadores denunciam licenças falsas de treinadores

Petkovic e Guerrero acusam Alejandro Mancuso de vender licenças de treinador falsas, gerando debate sobre a credibilidade das certificações no futebol.
Lide
Petkovic e Guerrero, dois ex‑jogadores do Flamengo, denunciaram nesta segunda‑feira o argentino Alejandro Mancuso por suposto fornecimento de licenças de treinador falsificadas pela escola argentina ATFA. Segundo reportagem do UOL, o esquema teria rendido até R$100.000 por certificado.
Desenvolvimento
A denúncia surgiu após investigação jornalística que identificou pagamentos suspeitos e rastreou a origem dos documentos apresentados como títulos de capacitação. Os ex‑flamenguistas afirmaram que a prática fere os princípios de ética e transparência que o clube historicamente preza. Mancuso, que atua como técnico em clubes da Argentina, é apontado como coordenador da produção e distribuição das licenças, que especialistas classificam como falsificações.
Petkovic, campeão carioca de 1996, destacou que a credibilidade dos treinadores é essencial para a integridade das competições. “Quando alguém vende um certificado inexistente, coloca em risco a confiança de toda a cadeia — jogadores, dirigentes e torcedores”, afirmou. Guerrero, igualmente indignado, ressaltou que a situação pode gerar prejuízos financeiros e competitivos para clubes que confiam em profissionais sem a devida qualificação.
O Flamengo, que tem adotado políticas rigorosas de compliance nos últimos anos, já anunciou que abrirá uma investigação interna para verificar se algum membro da sua estrutura teve contato com os documentos questionados. A diretoria enfatizou que a busca por transparência não se limita ao clube, mas se estende a todo o futebol brasileiro, que ainda carece de um órgão regulador forte para a certificação de treinadores.
Contexto histórico
Ao longo da sua história, o Flamengo tem sido reconhecido por investir em profissionais qualificados, tanto em áreas técnicas quanto administrativas. O clube já contou com treinadores certificados pela CBF e pela UEFA, reforçando seu compromisso com a excelência esportiva. Essa tradição de valorização da formação profissional contrasta com o surgimento de esquemas de falsificação que podem comprometer a reputação do futebol nacional.
Incidentes semelhantes já foram registrados em outros países da América Latina, mas poucos chegaram a mobilizar a atenção da mídia internacional como o caso envolvendo Mancuso. A situação coloca em evidência a necessidade de mecanismos de auditoria mais robustos e de cooperação entre federações para garantir a autenticidade das credenciais.
Impacto na temporada
Embora o caso ainda esteja em fase de apuração, a suspeita de licenças falsas pode influenciar a avaliação de técnicos em clubes que disputam o Brasileirão, a Libertadores e a Copa do Brasil. Se comprovado, treinadores que utilizarem documentos irregulares podem ser impedidos de exercer suas funções, o que geraria ajustes nas cartilhas técnicas das equipes e, potencialmente, afetaria o desempenho de clubes que dependem de tais profissionais.
Perspectiva
Nos próximos dias, espera‑se a publicação do relatório interno do Flamengo e possíveis declarações da federação argentina de futebol sobre a conduta de Mancuso. A comunidade esportiva acompanhará de perto as medidas adotadas, que podem incluir sanções disciplinares e a criação de um cadastro nacional de certificações. O desdobramento do caso pode servir de marco para reforçar a regulamentação e prevenir novas fraudes no cenário do futebol brasileiro.



